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Wolf - por Tatyana Araujo





Ele era jovem, mas já conhecia a cor da morte: vermelho. Carmesim para as mais belas e deliciosas. Vermelho para o resto e, ocasionalmente, algo podre no meio disso tudo.
Ele era novo, mas também era um lobo. Um garoto com uma segunda natureza, um espírito selvagem e instintos precisos. De onde veio ele teria uma posição de destaque, um posto com título – caçador – e honrarias.
Teria tudo isso se não tivesse escolhido as sombras – existem outros tipos de caçadores, não é? –, o anonimato de servir aos grandes nomes.
Ainda assim ele era respeitado e temido. Era algo como a sua natureza animal falando alto o suficiente para os instintos dos seus companheiros ouvirem.
Alto demais, às vezes.
“Uma criança não deveria ter olhos assim.”, eles diziam.
Se “assim” era pela cor de sangue ou pela voz por trás deles, não era claro. Sabe como são essas pessoas com seus auspícios, se assustam por qualquer coisa...
O Chefe, no entanto, não tinha medo. Ele via o vermelho, a fome e os instintos, mas enxergava além. Via o garoto de risada fácil e esperto demais para seu próprio bem. O Chefe entendia e ajudava a separar: “Sangue, apenas para a hora de sangue.”
Com o tempo ele aprendeu a se ajustar às obrigações e ao mundo, mas a ironia não lhe escapava: enquanto a morte era quase uma casualidade banal, a essência do menino e seus impulsos causavam medo e estranheza. Um incômodo que com urgência pedia “tire isso daqui.”
Por isso ele gostava da floresta: era calma, escura e esquecida. Se você andasse muito para o norte – como ele fazia agora – encontraria algo mágico por lá. Bem, ao menos era o que as histórias diziam: que aquela floresta mudava, ganhava vida e magia. Que humanos gostavam de se aventurar por lá para descobrir os mistérios do Universo, mas quando ninguém mais voltou inteiro, eles voltaram suas atenções para fadas e suas magias.
Quando ouvia esses contos, o menino pensava que talvez fadas fossem mais fáceis de lidar do que toda a grandeza do que está acima de suas cabeças.
O que não avisavam nas histórias, no entanto, era o tempo que levava para um viajante sair da parte escura da floresta para a clara. Dias, meses... Ele poderia jurar que corria há anos e em nenhum momento o caminho parecia chegar ao fim.
Por sorte, um lobo não sente essa viagem.
Bem, não esse jovem lobo, ele se dizia.
Esse jovem lobo consegue ir até o norte ver as fadas e, quem sabe, algo mais. Esse jovem lobo só precisa do silêncio da existência vazia daquela parte morta do sul da floresta para impulsionar seus passos. Um jovem lobo apenas conversa consigo mesmo, em sua cabeça, com frases motivacionais, para passar tempo e mais nada.
Foi em algum lugar entre o pôr do sol e ele notar a diferença de perfumes no ar, que a música surgiu.
Não era qualquer som. Apenas uma voz solitária perdida entre as árvores. Pálida, frágil, tão jovem quanto ele se sentia, mas infinitamente grande em sua beleza.
Sem consciência de seus passos, ele fez o que não se deve fazer. Chegou mais perto.
A música ficava mais clara, mais presente. Falava algo sobre um príncipe, uma princesa e uma tragédia tão bela que ganhou suas próprias estrelas.
Com o coração palpitando como nunca havia antes – nem mesmo em sua primeira caça – ele passou pela última árvore.

Ela era jovem, mas seus olhos já conheciam os mistérios da vida. Magia para o invisível e belo. Filosofias e histórias para o resto e entre uma coisa e outra, segredos tão vis que não deviam ser repetidos.
Ela era nova, mas tão grande em sua presença e tão efêmera ao mesmo tempo, que ele poderia tê-la confundido com algo eterno. E quando seus olhos se cruzaram, ele sorriu reverente e apaixonado.
Por mais que fosse jovem, ele entendia o suficiente da vida para saber quando ela não é mais sua e agora se encontrava aos pés daquela garota etérea que, mesmo surpresa com a visita, não perdeu uma nota de sua música, nem uma vírgula de sua história.
Pelo contrário.
Com a graça de uma rainha ela se levantou, pegou o sacrifício silencioso do jovem lobo, andou até ele e com mil perguntas na ponta de sua língua, apenas fitou seus olhos.







via fudgeflies on Tumblr

Felicidade...






Tarde da noite, a imagem veio a minha mente , acordei assustado com os lençóis revelando o meu continuo choro, minhas lamentações e minha tristeza, andei cambaleante ao banheiro olhei minha face amassada no espelho, limpei o canto dos olhos arranquei do peito minha dor, chorei mais e muito mais ate a dor ser menor, sentia minha vida esvaindo-se cada vez mais e mais.

Ao acordar pela manha segui minha vida corriqueira desta vez sem alegria sem tesão, comecei a observar um pouco mais as pessoas robóticas a minha volta. As vidas perdidas pela midia, as almas roubadas pelo consumo, mas pelo menos eles fingiam ter uma felicidade passageira. Acendi meu cigarro ao sair da estação de metrô, olhei a fumaça que saia da minha boca , andei vagarosamente até chegar ao local onde trabalho, subi sentei em minha mesa, procurei esperançoso pela foto mas ela já não estava mais onde deixei.
A vida continua e se fiz o que fiz, foi para te ver feliz. Então que assim seja!

E a felicidade? Bem essa um dia volta, quando meu peito começar a queimar implorando pelo seu amor.

Metrô Letters.





"Em meio a metrópole ele vinha cambaleante, sentindo o peso da noite anterior em seus ombros... Ele só pensava nela, soa seus abraços, no seu sorriso, mas também o doía no coração o sentimento de não te-la verdadeiramente, de não poder beija-la. Ou de dizer a todos que ela era o grande amor de sua vida (na verdade isso ele já dizia). Um tranco, um solavanco. "Próxima estação: Armênia, desembarque pelo lado direito do trem." Dizia a voz límpida e automática do metrô ele olhou ainda faltavam algumas estações pegou em sua bolsa um velho porta retratos, com uma foto nova, era a foto dela a encarou, soltou um riso no canto dos lábios, a colocou de volta no lugar e abraçou a mochila contra o peito. "Próxima estação Santana, desembarque pelo lado direito do trem" anunciou novamente a voz no vagão. Ele então se pôs de pé olhou para os lados e partiu e direção a porta, quase caindo com o balançar suave da maquina chegou certeiro a porta , olhou o relógio."7:50"?? Gritou espantado, partindo rápido assim que as portas se abriram. Caminhou apressadamente por entre as pessoas, almas robóticas, alienadas, formadas para serem o que foram feitas para fazer e nada mais, indo contra todos desceu as escadas correndo, enquanto muitos se amontoavam para descer nas relaxantes escadas rolantes, chegou ao fim do lance girou a catraca, saiu da imensa estação e partiu para mais um dia de ilusões corriqueiras...."


Maxwell Candido

Devaneios noturnos



Ele em seus devaneios noturnos, percebeu ao falar com ela pela ultima vez algo diferente em suas palavras, outrora alegres e vibrantes, transformadas em secas e mau ditas, sera que ele a fez algo para ser tratado assim, se bem que no fundo de sua alma, onde as magoas eram guardadas e os amores arruinados, ele sabia, Ahhh se sabia, era aquela sensação... A velha sensação do amor. Ele limpou mais uma vez a lagrima no canto dos olhos e fitou a tela do computador, ficou confuso, decidiu. Iria se afastar, mas não de uma vez, mas aos poucos, para que sua inútil presença desse lugar á menina linda e independente que ela era, assim as dores que ele sentia seriam menores como foram antes, como eram, mas a proximidade dos dois trouxe a tona o amor.

Ele bem sabia que não a ajudava querendo nada em troca, não fosse estar ao seu lado, mas agora a presença dela incomodava, mas não a ele e sim ao seu intrépido, porém estilhaçado amigo coração, são nesses momentos oportunos que devemos deixar voar os pássaros, e dar a liberdade a mente, para que no futuro não nos aprisionemos em nossa própria jaula, para não morrermos trancafiados na nossa própria desilusão.

Suspiros.



Estavam os dois entretidos e entediados fazendo atividades que a principio pareciam fúteis, porém, presos em suas mentes estavam incumbidos os sentimentos mútuos de amor, ambos queriam e podiam, porém seu ego esclarecidamente forte misturado com sua assustadoramente personalidade, fazia com que ambos ficassem ali simplesmente sem o que fazer esperando a brincadeira próxima para um "quebra-gelo". Somente suspirando.

Ela, pensando em seus devaneios, uma hora próxima, a qual ela estaria deitada em sua cama se deliciando de belas e gordurosas batatas fritas, usava dos acontecimentos ao redor como base de inspiração para escrever o romance que iniciara a poucos dias, e que devido ao desleixo fatal o abandonara por completo. Diante dos acontecimentos, mil cenas rondavam seus pensamentos, e ela mal podia entender o que se passava dentro dela, quanto mais o que acontecia ao seu redor, acabando por deixar uma vaga sombra de duvidas em todo o ambiente. Ele por sua vez só conseguia pensar por que aquela menina o deixava daquele modo estupidamente apaixonado, ou seria atraído? Já não sabia mais o que fazer pra conter sua vontade louca de beija-la, mas a garota parecia absorta referente as suas investidas, ambos se olharam, ela sorrateiramente veio em sua direção os cabelos caídos através dos ombros lhe faziam parecer mais velha deixando uma pontinha de sensualidade no ar, quanto mais perto ela chegava mais ele ficava desconcertado, o coração acelerava e a fala lhe faltava, ela veio, mas assim a alguns centímetros de sua boca, voltou deixando-o suar frio e louco de amores por ela.

Constituída de diversas cicatrizes,internas e externas, a garota exitava por não saber o que viria depois, se pegava pensando no erro que ela poderia estar cometendo, pois trazia consigo alguns pensamentos bem pessimistas, e não queria deixar mais um coração enganado, muito menos machucar o dela própria, durante horas ficara imaginando se aquele mini "conto de fadas" iria trazer bons ou maus resultados, pois ela já havia passado por uma situação semelhante a pouco tempo atras, e tudo o que ela menos queria era mais algumas noites de musica depressiva e assinaturas permanentes em seus braços.

Ele ao olhar nos olhos penetrantes e inconfundíveis dela, viu a dor que ela sentia, sabia o motivo da excitação  sabia que poderia machuca-la ou faze-la feliz, mas simplesmente decidiu por optar o acaso do destino caso fosse ou não algo que tivera que acontecer iria acontecer ou ficaria por ora, para vidas futuras, um infinito não bastaria para destruir aquele sentimento que ambos sabiam que existia naquela relação.

E foi assim o absorto casal de escritores, acabaram por deixar o fim da narrativa nas mãos ásperas do temeroso destino. Infundando inconsequências breves nos dias que estavam por seguir. Mas quem sabe um dia, ou hora o destino lhes pregue uma peça e os faça mudar o rumo desta deliciosa história de "Quase-amor".

Porém a garota sabia de seus limitados sentimentos, e por mais que já se apaixonara milhões de vezes em sua breve história de vida, após uma ultima decepção optou por congelar seu coração por completo, não permitindo a entrada de qualquer sentimento novo, ela tinha muito ódio e magoa guardada em si, muito mais do que os outros podiam ver, muito mais do que ela mesma imaginava, sabia disso pois eram diversas as noites que ela passara em claro traçando cada estratégia de vingança, uma a uma, e como sabia dos sinceros sentimentos dele, pensava, não apenas se iria trazer consigo mais um romance fajuto, mas sim se iria quebrar um coração que não merecia ser quebrado, muito menos por ela.
E ao findar da tarde, após tantos pensamentos e vontades, tantos revira voltas da vida , terminaram lado a lado escrevendo só mais um dos inúmeros contos que poderiam sair dali.

Portanto essa seria mais uma noite que ela passaria pensando no que podia ter feito, e ele pensando o porque de tudo isso. E assim em uma despedida seca, mais cheia de vontade de ambos beijarem-se , se olharam mais uma vez antes de partir, sabiam que queriam, sabiam que era aquilo que os dois iam viver... O amor dos dois era de outras vidas, e de outros amores passados, e foi assim que ocorreu. e foi assim que acabou somente em breves suspiros.

A menina da Flauta






Era manhã, eu caminhava como de costume, por entre as ruelas da Roma de 83, carregando comigo minha flauta, adorava as aulas da senhora Pitsburg. Sempre andava olhando tudo a minha volta, a cidade do Vaticano era linda. A cada manhã eu descobria algo diferente, pegava caminhos diferentes, esta manhã não foi diferente, virei por um beco a qual eu sempre evitava, só homens entravam lá, sempre fiquei curiosa, na entrada do beco um homem de preto sempre ficava parado, às vezes ele parava duas ou três ruelas antes. Ele me olhava acenava com a cabeça e eu seguia meu caminho, confesso que muitas vezes com um pouco de medo.

Amorth era o nome dele, eu escutei umas duas ou três vezes chamarem ele de dentro do beco escuro. Ouvira falar que ele era um exorcista, mas acho que não era verdade. Os exorcistas nunca saiam de dentro da basílica do vaticano. Nesta manhã foi diferente, eu acenei com a cabeça e ele levemente acenou para que eu me aproxima-se. “Olá.” Eu disse. “Você não deveria andar por aqui garota” Disse o rapaz. Ma quase não escutei o que ele dizia, pela primeira vez vi o rosto dele que antes estava coberto por um longo e negro capuz. Seus olhos eram penetrantes e mais azuis que o céu em veraneio, mas era diferente, era como se eu o conhecesse. “GAROTA”. Ele gritou, eu olhei assustada. “ Você esta atrasada”. Rapidamente me virei e continuei meu caminho, percebi que o homem estava vindo em minha direção com um olhar diferente. Comecei andar mais rápido, mas o homem continuava a me seguir, desesperada, corri o mais rápido que pude até um local seguro. Virei-me para ver, e ele já havia desaparecido.

Cheguei à aula da senhora Pitsburg, hoje aprenderíamos a tocar a nona sinfonia, mal consegui prestar atenção na aula, lembrava daqueles penetrantes olhos azuis, daquela silhueta negra correndo atrás de mim pelos becos. ”Senhora Razlea, preste atenção na aula”. Voltei a tocar. No meio da melodia estranhamente ouvi outra melodia, uma musica suave, envolvente, tão calma que parei de tocar para ouvi-la, esqueci de tudo a minha volta. “Senhora Razlea, a aula já acabou”. Pisquei meus olhos rapidamente e percebi que todos saiam da sala me olhando estranho. ­“Meus parabéns Patricia, você tocou muito bem hoje.” Olhei para ela com cara de espanto, eu não lembro nem mesmo de ter colocado a flauta na boca ,quem dirá tocá-la. Mas, mesmo encabulada guardei minhas coisas e sai apressadamente estava voltando para casa. Cheguei e percebi que as coisas estavam normais. Decidi fazer um caminho diferente. Mas acabei encontrando o tal homem novamente. Mas o que ele estaria fazendo ali? Estaria me seguindo? Não, não, isso era totalmente estúpido, talvez seja apenas coincidência. Mas tudo mudou quando ele me chamou. “Ei menina?!”. Senti um grande frio. Ele estava realmente falando comigo? “Sim, você, pode esperar um minuto?” Ele disse como se tivesse lido minha mente. Por algum motivo, me virei para ver. Ele era magro, seu cabelo era escuro e levemente ondulado. "O que estou fazendo parada aqui?"- pensei.

Minha mente dizia para correr, mas meu corpo estava paralisado, não conseguia fazer movimento algum. Naquele momento tudo escureceu. Acordei alguns minutos depois sendo carregada, não conseguia ver nada, algo tapava minha visão, era um pano negro. Depois de minutos sendo carregada, vi luzes através do pano. Eram velas! Senti me jogaram em cima de alguma coisa, pegaram meus braços e pernas e amarraram contra a superfície áspera e gélida, tive uma cegueira momentânea ao tirarem de meus olhos o pano negro que os cobria, esperei uns segundos e observei a penumbra havia muitas pessoas olhando pra mim, todas de negro encapuzadas da cabeça aos pés, eu tentei me soltar e gritar, mas de nada adiantou.

Eu era como um peixe no aquário, um homem chegou perto de mim, mas mesmo com o capuz pude reconhecê-lo, era Amorth. “O que faremos com ela Padre?” Disse uma voz seca e ríspida vindo por de trás de mim. Ele me olhou nos olhos, pude sentir algo diferente, um brilho uma mensagem. “O mesmo das outras”. Neste momento ele se virou e a enorme superfície se moveu. Só parou em frente a um enorme espelho, agora pude ver que estava em uma mesa redonda, com pentagramas desenhados. Olhei meu reflexo, ele não era o mesmo, enquanto eu me debatia e tentava fugir, ele estava lá, quieto imóvel, observando. Assustei-me mais ainda.

Agora dois homens estavam ao meu lado, como médicos, mas de preto. Um deles levantou enormes agulhas, e começou a limpá-las, enquanto o outro destampava uma bandeja, onde estavam dois ratos, o chiar dos dois, ainda esta marcado na minha alma, o homem da direita pegou os ratos e colocou em cima da minha barriga eu me olhava no espelho e só via eu mesma parada, olhando, nada de gritos, nada de agonia, aquilo não poderia ser eu! O homem pegou a tampa que antes estava na mesa guardando os ratos e colocou sobre minha barriga sufocando o roedor, pude senti-lo arranhar minha pele, gritei, mas em vão, ele pegou um pequeno maçarico e ateou fogo contra a tampa da bandeja, o ser na minha pela, não tinha para onde ir a não ser para baixo, o sentiele rasgando minha pele, meu sangue escorrendo, via somente os filetes através do espelho, mais nada, era meu fim, quando estava prestes a cair,ele retirou o pobre animal de cima de mim, mas o da esquerda, agora mais perto pegou a agulha e atravessou minha garganta gritei, já era tarde.

Vi meu corpo lá em baixo, inerte. Todos olhavam fixamente para o espelho agora. Esperando algo acontecer, Talvez se saísse e buscasse ajuda... Mas estava morta. Procurei uma saída, esquecendo que eu agora poderia passar por onde quisesse, quando me dei conta estava atravessando a porta principal. Estávamos na Basílica, o beco então dava acesso a ela. Senti meu espírito sendo puxado, eu estava sumindo... Corri para a direção oposta, mas nada adiantou, pisquei e quando olhei de novo estava em frente ao espelho, ali parada, sozinha observando meu corpo agora sem reflexo, vi crianças através do espelho, ouvi vozes, mas atrás do espelho estava Amorth, ele olhou fixamente para mim como se pudesse me ver, e em seus olhos o vi sinalizar para que eu saísse dali. Corri atravessei as paredes, cheguei ao beco.

Não sabia pra onde devia ir, olhei e simplesmente segui o caminho que fazia todas as manhãs, algo me seguia, pude sentir isso, ao me virar vi uma imensa massa negra, era uma menina, me seguindo,tinha que correr mais rápido, eu consegui ver ao longe, a escola da senhora Pitsburg, sem hesitar entrei, estava tudo vazio. Olhei mas uma vez para me certificar que ninguém estava lá. Mesmo sabendo que ninguém me veria mesmo. Passaram se algumas horas, eu vi Amorth entrar, ele me olhou. “Eu disse que você não deveria estar ali Elisabeth”. Elisabeth, quem era Elisabeth? “Meu nome é Patricia” Gritei sem sucesso. “Venha até mim, Elisabeth”. Escutei a mesma melodia de mais cedo, era como se estivesse hipnotizada. Mesmo sabendo que eu não era essa Elisabeth, eu caminhei, ele me abraçou encostou a cabeça em meu ombro e colocou os lábios próximos a meu ouvido. “Agora sua alma será minha, para SEMPRE.” Amorth se dissipou e virou uma esfera negra, agora eu estava dentro dela. Fechei os olhos.

Quando abri, vi os sons noturnos vindos da janela aberta, estava suando frio, minhas roupas de cama estavam molhadas, agarrei meu lençol, olhei em volta, não havia nada. Tudo não passava de um terrível pesadelo. O dia amanheceu normalmente, peguei minhas coisas e sai, fui a aula da senhora Pitsburg, mas meu pesadelo não saia da cabeça. Foi tão real. “Bom dia, você poderia me informar onde fica a basílica do Vaticano, por favor, sou novo padre e preciso encontrá-la” Disse uma voz atrás de mim, me virei para responder. “Fica entrando naquele beco ali a...” Fui interrompida, ao ver o rosto do rapaz, era ele Amorth, ali parado na minha frente... Sem hesitar corri. E nunca mais voltei aquele lugar.

Madame Natasha - Miniconto

                               
                                  Madame Natasha

         
   "Qualquer droga faz mal. Eu acho que a maconha faz mal, a cocaína faz mal, álcool faz mal, mas eu...não posso causar mal nenhum a não ser a mim mesmo."


 " - Olá meu nome é Melyi, e eu sou viciada em álcool." 
      Esta era a frase de todas as quintas a noite, quando Melyi ia ao encontro semanal dos Alcoólicos Anônimos, ela já estava cansada de tudo aquilo. Daquela rotina. Daquela mesmice. De viver trancada em seus próprios pensamentos, que ora eram ditados pela sociedade, ora quem os fazia era o efeito alucinógeno causado pelo álcool, pra ela o efeito era comparado ao das drogas ilícitas... Mas por pouco tempo, agora a rotina era outra.
      Eram seis e cinquenta exatamente, Melyi levantava-se para tomar sua dose diária da mais vagabunda e perfeita bebida: A vodka Natasha. Com seus cabelos desarrumados, ela acorda, após tomar uma golada quase normal, não fosse pelo conteúdo do copo, sua roupa dizia muito de quem era, o avental mau colocado, mostrando a noite mau dormida, que agora já era manhã, a calça jeans desbotada, e os óculos pendurados no bolso da camisa embaixo do avental, cujo bolso estranhamente dizia: "- Bem vindo ao Berk's, posso ajuda-lo?", o laço do cabelo agora estava jogado em sua mesa de cabeceira, seus sapatos jogados pela casa e suas meias em cima da cama, suavemente desarrumada e aparentemente ocupada, mas não, era só mais um devaneio, causado pelo álcool, agora presente em seu sistema nervoso  .
      Saiu apressadamente , deixando revelar um pedaço de suas roupas de baixo, entrega o jogo... se deixa levar pelos devaneios da vida. "Disfarça e segue em frente". Tudo estava certo, seu dia, ah seu dia era cronometrado no relógio fisiológico que dizia a hora em que ela deveria parar apara apreciar mais uma vez sua amada amiga Natasha. 
       "- Bom dia Madame Natasha" . Foi assim que seu colega a chamou, quando Melyi entrou em sua sala segurando como um filho sua garrafa de vodka. Mas hoje seria diferente, ela virou a mesa de sua sala virou a garrafa e saiu a gritar pelo corredor até chegar na janela do 24º andar.
         "- Carpe Dien Ms. Natashhha". Mais nenhuma palavra, um salto. Gritos."- Uhuuul". Foi o que se ouviu até chegar ao chão. Todos pasmos a olharam e viram um filete de sangue escorrer por seus lábios, que demonstravam a felicidade da defunta mais viva do mundo. No mesmo ritmo em que a cena começou , todos voltaram a seu lugar, já era tarde, a faxineira que agora nervosa recolhia os cacos de vidros lia um pequeno bilhete:

"- A Maior Felicidade que tive foi te conhecer. Te encontro do outro Lado Madame Natasha" .
                                                                                                                    Melyi.
          Ela o rasgou pegou a garrafa que agora estava na metade, virou, deu um sorriso e mais alegre voltou a sua rotina.

     
  

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Ele estava parado em meio a um enorme salão redondo, olhava a todos os lados como se esperasse que algo ou alguém saísse das sombras. Frio. Suor. Um barulho virou abruptamente seu pescoço, como se algo tivesse chamado sua atenção, mas nada. Suor, medo, tensão, um passo para dentro das trevas, não sabia o que tinha, mas o impulso falou mais alto, outro barulho, mais uma vez virou-se para ver de onde vinha – aparentemente de suas costas - mas nada... Tensão. Medo. Suor. Seus dentes rangiam, mais um passo a frente, chegando mais perto das sombras, mas desta vez, ele viu dois pontos avermelhados fixados em sua direção, medo, suor, o estomago começa a revelar o único sentimento imperante naquele momento, o MEDO.

Um passo para trás, o medo o faz recuar, mas é inevitável, os pontos, transformam-se: OLHOS. E a cada passo para trás revela o que estava escondido nas sombras... Dos olhos, surge uma face horrivelmente inexplicável... Tudo se transforma assustadoramente, se transfigurando, os olhos agora eram conhecidos, e a assustadora silhueta, é uma branca e pálida face, quase humana, e o encarava. Suor. Agora as gotas caiam aos montes de sua face, era horrível, o medo o dominava, mais um passo para trás. Agora já não era uma silhueta disforme, era um ser perfeito, e o espanto, era como se ele encarasse frente a um espelho seu próprio ser. Medo. Suor. Novamente a vontade de fugir lhe passava pela cabeça.

O ser aproximava-se, dava um passo de cada vez, e a cada passo um olhar, ele tentava dar mais algum passo para trás, porém em vão, a parede já estava ao toque de sua mão. Em um salto o ser pulou em sua direção, ele abruptamente abaixou-se evitando um golpe, calculadamente executado para acertar a jugular. Um ataque mortal. Agora o ser estava as suas costas, era inevitável. Medo. Suor. Ele estava estático esperando somente seu fim.

BEEEEEEEEEEEEP BEEEEEEEEEEEEP – são sete da noite. O relógio o surpreendeu e o fez acordar do pesadelo que o perseguia por dias a fio. Agora pensava em Claire, ela cuidava dele, ele vivia em seu porão desde que “sofrera o acidente”. Sentia-se sozinho, era Claire quem conversava com ele. Sim, ele era um vampiro, mas não um vampiro comum, lutava contra a sua natureza...
Jordan. Era seu nome Murray Jordan, antes de se tornar o que é, era escritor... Não fosse pelo pequeno detalhe de não poder sair ao sol, seria uma pessoa normal vivia no sótão de uma amiga incomum, Claire, que o encontrou jogado em uma sarjeta com perfurações finas em seu pescoço. O alimentava com retiradas no hemocentro onde trabalhava o que nem sempre satisfazia Jordan, e o fazia cometer pequenos assassinatos animais, como gatos e cachorros dos vizinhos...

Seu sonho era ser escritor, mas não um escritor qualquer, não um escritorzinho de quinta, de fundo de quintal, sim um escritor de sótão, um escritor de romances, mas romances dramáticos, envolvendo amor e morte, o jogo da vida. A brincadeira da dor, a zombaria da perda. Da ironia da morte. Na condição em que vivia a morte já era uma companheira, o que antes lhe atormentava, agora só era mais uma casualidade. Uma amiga de infância presente, mas longe ao mesmo tempo, agora Jordan não ligava para os extremos, mas sim para o simples, passou a visualizar a vida minuciosamente, na riqueza de seus detalhes.
Agora o que realmente não lhe saia da cabeça, era sua paixão, sua louca paixão pela mulher impossível, aquela que o tratava como irmão,como cúmplice... 


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Se sim comente ai em baixo.