Aperte o Play e Leia: Além do Pôr-do-Sol. PT. 1 (Continuação do Release)

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Eram seis e vinte cinco, como de costume levantei, me vesti, fui cambaleante em direção á escrivaninha, só parei para encher uma xícara de café. Sentei-me, admirei o vitral em forma de aranha a minha frente. Peguei a xícara, levei lentamente até a boca, apreciando a leve fumaça que o calor do café produzia no pequeno trajeto da mesa até meus lábios, coloquei de volta na mesa, e repeti até o conteúdo acabar.

 Foi assim por horas: Indo até a cozinha enchendo a xícara de café e voltando a sentar-me, encarando o papel. Nada surgia certa hora peguei o lápis na mão, brinquei com o objeto, passando-o entre os dedos, já fizera isso tantas vezes que tinha habilidade de fazê-lo sem olhar.

      Olhei o relógio, ás pressas, assim que o sol deixou de brilhar, assustei-me e corri em direção a porta desastradamente, peguei um casaco no meio do trajeto, e minhas chaves em cima de uma mesa estrategicamente posicionada. Abri a porta, desci as escadas, ao chegar á Rua La estava um taxi a minha espera.

 -Dois minutos atrasados Julieta. - Disse o motorista entre risos.

 Entrei, sentei, e sem falar nada partimos, o motorista dirigiu incansavelmente sem nenhuma parada até chegar a frente de uma velha estação de metrô, aparentemente abandonada.

 -Chegamos senhora.

 Rapidamente tirei do bolso do casaco algumas notas amassadas e entreguei ao motorista. Sem falar uma palavra, nenhum som. Empurrei o grande portão e entrei na "fortaleza", como apelidei. Depois de andar por alguns minutos parei em frente a uma escadaria.

"Acesso á linha 4 amarela" Dizia a placa.

 Entrei sem pensar, tudo escuro, sem nenhum sinal de luz ou vida que não fosse eu, e a dos insetos e ratos que ali viviam. Uma luz no fim do túnel denunciou que estava próximo ao meu destino. Era um painel, uma antiga porta, agora estrategicamente escondida por um painel de informações da nova estação do outro lado. Observei perplexa, analisei, parei, pensei, olhei novamente, observei atentamente as pessoas que ali estavam. Observei algumas mulheres que tagarelavam em um grupo. Era sexta-feira. Muitos jovens estavam preparando-se para suas farras noturnas. O relógio apontava quinze minutos para a meia noite, hora em que a estação fechava. Como era nova, (estava de pé a menos de três meses) as passagens antigas ainda estavam lá.

 As horas passaram. A essa altura já não tinha muitas pessoas, tinha que esperar o momento certo, ficava ali imóvel, escutando as pessoas, as conversas, os olhares. As vidas robóticas. As almas perdidas pela alienação das mídias atuais, os livros, revistas e jornais, pouco a pouco, estavam sumindo, sendo esquecidos. Aquilo me enlouquecia, me matava por dentro.

 Passados alguns minutos, vi uma jovem entrar, sentou-se segurando um livro, um belo e volumoso exemplar de "Harry Potter". Era ela, tinha de ser. Sem que ela percebesse, empurrei a falsa abertura, e me esquivei pelas máquinas de refrigerante que estavam ali na plataforma. Olhei disfarçadamente, mas ela estava entretida demais com sua leitura para prestar atenção, sentei ao seu lado:

 - Bela leitura! Disse a ela não obtendo resposta.

 Ela me olhou com uma cara de poucos amigos deu um sorriso amarelo e voltou a ler.

 - O metrô está demorando hoje né? Tentei novamente iniciar uma conversa

 - É. Ela respondeu

 - Você tem horas? Disse novamente.

 - É meia noite e meia. Disse secamente novamente.

 - Nossa, mas os serviços se encerram á meia noite! Disse fingindo espanto.

 - Então tenho que correr para pegar um táxi  Ela falou, levantando-se e partindo a esquerda.

 - Venha, eu te acompanho pelo jeito eu também vou ficar pressa aqui se não me apressar. Disse puxando-a para o lado oposto.

 -Tudo bem!

 -Vamos por aqui!

 Saímos em direção às esteiras, ambos subimos e ficamos ali parados enquanto éramos carregadas. Paramos para trocar de esteira. Existia um vão entre as esteiras, parei, fingi arrumar os sapatos e enrolei um pouco.
 -Olha se formos por aqui cortamos caminho!

 Eu disse apontando para uma placa que estava ali. Parecia velha, mal se lia:

 "Acesso a Avenida Paulista - CPTM"

 Ambos fomos em direção a um corredor que terminava em uma enorme galeria, a primeira vista não tinha saída. Levei-a até um dos cantos. Ali uma porta velha dava acesso a mais um corredor escuro, entrei, ela ficou, hesitou, mas entrou em seguida se deixando guiar por mim.

 Enquanto andávamos o silêncio e os sons em volta eram de assustar, coloquei minha mão no bolso, retirei a lâmina, depois de uns 20 e poucos passos, me apoiei em seu ombro e a virei, em seguida penetrei suavemente a lâmina, outrora brilhante, em seu peito, a olhei nos olhos, sorri levemente e vi a vida dela se esvair em minhas mãos. As gotas de sangue respingaram nas páginas do livro que ela carregava, que agora aberto e caído estava sendo molhado pelas poças de esgoto e o sangue de sua leitora. Observei os finos filetes de sangue escorrendo pelos seus longos cabelos negros.

 A deitei no chão úmido limpei meu rosto com a manga da camisa, que agora estava com gotículas de sangue que teimaram em respingar em minha face, abri meu casaco e tirei uma flor. Um belo e deslumbrante lírio branco. Coloquei entre suas mãos, rapidamente eles ficaram vermelhos. Peguei a bolsa e os pertences dela, me virei e sai lentamente, sem olhar para trás. O som dos meus saltos agora eram os únicos sons que se ouviam ali.

 Rapidamente estava em casa, estava ansiosa, abri minha porta, tirei meu casaco e corri em direção a minha escrivaninha. Agora á noite, o vitral aracnídeo estava mais convidativo. Peguei meu lápis e comecei a narrar a morte daquela interessante leitora. Revirei em seus pertences achei somente um documento, Juliana M. Era seu nome. Estudante do Ensino Médio. Decidi chamá-la de "leitora J" somente. Era mais uma história para meus contos. Limpei a bolsa, com algumas caveiras adornadas, e a joguei dentro de um compartimento escondido em baixo de minha mesa. Apertei um botão e em segundos só restaram às cinzas e nada mais.


Para mais aguardem e comentem :P

4 comentários:

Bah disse...

Parabens Max!! Ta MUITO boa essa sua história *-* to louca para ler o resto hahaha :D

Palavras de Uma mente fertil disse...

Que bom que gostou Barbara, fico muito feliz em saber sua valiosíssima opinião!!!! continue acompanhando que eu ja fico muiito feliz.

Beijo.

Anônimo disse...

Ta ótimo.

Maxwell Candido disse...

Brigado anonimo , que bom que gostou...

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